TERRITORIO QUILOMBOLA É INVADIDO POR MILITARES

Militares e moradores do Quilombo dos Macacos entram em conflit


Moradores do Quilombo dos Macacos, comunidade que fica localizada em Paripe, foram surpreendidos na tarde desta segunda-feira (28), quando cerca de 60 militares invadiram o local para impedir que uma das residências que abriga as cerca de 50 famílias que vivem no local fosse reformada. De acordo com Maurício Oliveira, da Associação dos Advogados dos Trabalhadores Rurais da Bahia, os moradores, inclusive crianças, foram tratados com xingamentos e agressões.
O Quilombo dos Macacos fica em uma área que faz limite com a Vila Militar, e ambas as partes lutam na Justiça pelo direito de posse do local. Segundo eles, a invasão foi motivada pelo fato de os oficiais não aceitarem que os moradores promovam reformas no local, bastante afetado pelas chuvas que caíram nos últimos dias. “Eles moram em condições precárias e esse clima constante de medo e violência promovido pelos militares só piora a situação”, disse Maurício.
Ainda segundo ele, a intenção da Marinha, responsável pela ação desta segunda, é ampliar a sua base. “Temos informações de que eles querem ampliar o espaço físico da base militar e, por isso, promovem todo tipo de ação para prejudicar os moradores e impedi-los de viver no local”, contou.
Elias Sampaio, que comanda da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), esteve na região e, junto com representantes das Defensorias Públicas Estadual e Federal, conseguiu fechar um acordo para que os militares deixassem o Quilombo e sentassem à mesa de negociação em um prazo máximo de 48 horas.
Na próxima sexta-feira (06), representantes da Comissão de Direito Humanos da Câmara Federal dos Deputados estarão na comunidade para tentar encontrar uma solução para a questão. A Marinha já conseguiu duas liminares para a expulsão dos moradores, mas ambas foram adiadas pela Justiça. Recentemente, o Quilombo dos Macacos recebeu o certificado de comunidade quilombola da Fundação Palmares, e técnicos do Incra já realizam vistorias no sentido de comprovar a viabilidade da questão. Caso isto ocorra, a retirada dos moradores do local será automaticamente anulada. 
 
MATERIA PUBLICADA NO SITE FALA SIMÕES FILHO

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